domingo, 12 de setembro de 2021

benavente | análise dos resultados

Não estranhamente, os resultados são exatamente aqueles que avancei em privado a quem me pediu que tentasse um prognóstico. Mas não é isso o relevante. O que conta é que a abstenção permanece elevada. É verdade que há dificuldade de deslocação de alguns munícipes, mas isso não explica uma abstenção de 55,38%. Há, efetivamente, um abandono do direito-dever de voto, conquista da Democracia. O argumento da falta de opção político-partidária não é útil, pois não estavam em concorrência apenas 2 ou 3 partidos.



Quanto aos resultados propriamente ditos, há várias leituras. A primeira delas de âmbito nacional, com um desvio à Direita como sinalização à esquerda da necessidade de não dar eleições por garantidas e, bem assim, de um sentimento conservador crescente, em linha com o resto do Ocidente.



Ao nível microssistémico, ou seja, local propriamente dito, a CDU perde a sua maioria, fruto de um desgaste natural, de algum destanciamento face à população e, sobretudo, devido à ausência de soluções para problemas antigos como de saneamento, PDM, e mau cheiros (v.g. Coutada Velha) e problemas cíclicos como o crime. O PS perde um vereador, tanto por razões nacionais como fruto da instabilidade de longo-termo do partido. O PSD aproveita ambos os fatores, bem como a existência de uma candidatura e programa político mais sólido, para ganhar o vereador que o PS perdeu. O Chega, como expectável, ganhou um vereador nas suas primeiras autárquicas, em razão de problemas de criminalidade conhecidos e delimitados, bem como através de uma campanha de apelo ao enraizamento cultural.

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